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A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma condição pulmonar progressiva e de longo prazo que dificulta a respiração.
Ela é atualmente uma das três principais causas de morte no mundo, sendo causada por inflamação persistente nos pulmões devido a irritantes inalados, mais comumente o tabagismo, mas também pode ser resultado da exposição a poluentes derivados de queima de biomassa, exposição prolongada à poluição do ar, fumaça de cigarro passiva e exposição a substâncias tóxicas no ambiente de trabalho.
Quais os sintomas da DPOC?
A principal característica da DPOC é a obstrução do fluxo de ar para os pulmões, o que causa sintomas como tosse crônica, falta de ar, produção excessiva de secreção e chiado no peito.
Esses sintomas tendem a piorar ao longo do tempo e podem interferir significativamente na qualidade de vida, por isso a importância de acompanhamento com pneumologista.
A DPOC tem duas principais apresentações clínicas:
Bronquite Crônica: é caracterizada por uma inflamação persistente das vias aéreas, resultando em tosse crônica com produção de muco.
Enfisema pulmonar: envolve a destruição gradual dos tecidos pulmonares responsáveis pela troca de oxigênio e dióxido de carbono. Isso leva à perda de elasticidade nos pulmões e dificulta a respiração.
O que é exacerbação da DPOC?
Uma exacerbação aguda da DPOC é um episódio súbito de piora dos sintomas respiratórios em pacientes que já têm DPOC. Esses episódios podem ser desencadeados por vários fatores, incluindo infecções respiratórias virais ou bacterianas, exposição a irritantes ambientais, poluentes do ar ou fumaça de cigarro, e não conformidade com a terapia medicamentosa.
Os sintomas de uma exacerbação aguda da DPOC podem incluir:
Piora da falta de ar
Piora da tosse, com ou sem secreção
Aumento da quantidade ou mudança da cor da secreção
Chiado no peito
Fraqueza
Febre
Como se faz o diagnóstico da DPOC?
O diagnóstico de DPOC envolve a avaliação dos sintomas do paciente, antecedentes pessoais, exame físico e testes de função pulmonar, como a espirometria.
Espirometria (teste de função pulmonar)
A espirometria é um exame não invasivo usado para avaliar a função pulmonar. É um teste simples, rápido e amplamente utilizado para diagnosticar e monitorar uma variedade de condições pulmonares, incluindo a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), asma, fibrose cística e outras doenças pulmonares restritivas ou obstrutivas.
Durante o teste de espirometria, o paciente é instruído a respirar fundo e, em seguida, a exalar com força máxima e tão rapidamente quanto possível em um bocal do dispositivo chamado espirômetro. Este aparelho mede o volume de ar que o paciente é capaz de expirar em um determinado período de tempo e registra as curvas do fluxo de ar durante a respiração.
Com base nos resultados da espirometria, o pneumologista pode diagnosticar alterações pulmonares, avaliar a gravidade da obstrução das vias aéreas, monitorar a progressão da doença e avaliar a resposta ao tratamento.
Existem a espirometria simples e a espirometria completa (pletismografia). Este último é um exame fundamental para o manejo de doenças respiratórias mais graves e na avaliação pré-operatória de cirurgias pulmonares.
Tomografia de tórax
Apesar de exame radiológico não ser critério fundamental para diagnóstico de DPOC, usualmente a tomografia computadorizada (TC) de tórax é solicitada, afinal, cerca de 50% desses pacientes é tabagista ou ex-tabagista, com indicação de realizar rastreio para câncer de pulmão, sendo a TC de tórax o exame mais indicado para esse propósito.
Na TC de tórax, o enfisema pulmonar não é o único achado da DPOC, aliás o enfisema nem sempre está presente. São achados característicos da DPOC:
Destruição dos septos alveolares: no enfisema, ocorre destruição dos septos alveolares, que são as paredes entre os sacos de ar nos pulmões. Isso leva a uma fusão de alvéolos adjacentes, que podem formar bolhas.
Redução da densidade pulmonar: o enfisema pulmonar geralmente resulta em uma diminuição na densidade do parênquima pulmonar, o que pode ser visualizado na TC como áreas de hipodensidade ou diminuição da atenuação dos tecidos pulmonares.
Aumento dos espaços aéreos: a TC pode mostrar um aumento nos espaços aéreos nos pulmões devido à dilatação dos bronquíolos respiratórios e dos sacos alveolares, características do enfisema.
Padrão de “vidro fosco” e micronódulos pulmonares periféricos: em alguns casos, o enfisema pode estar associado a um padrão de “vidro fosco” na TC, que é caracterizado por áreas de aumento sutil na atenuação dos tecidos pulmonares, sem obscurecer completamente as estruturas adjacentes.
Redução do calibre dos vasos pulmonares: o enfisema avançado pode estar associado à redução do calibre dos vasos sanguíneos nos pulmões devido à destruição do tecido pulmonar circundante.
Espessamento das paredes brônquicas: A inflamação crônica das vias aéreas pode levar ao espessamento das paredes dos brônquios, que pode ser visualizado na TC como aumento do diâmetro dos bronquios ou espessamento linear das paredes.
Impactação mucoide: em casos mais avançados de broncopatia inflamatória, pode ocorrer retenção de muco nos brônquios, resultando em áreas de opacidade em “árvore em brotos” na TC, devido ao acúmulo de muco nos brônquios.
É importante ressaltar que os achados na TC de tórax podem variar em gravidade e distribuição nos pulmões, e podem ser diferentes de acordo com o estágio e a forma específica da doença em cada paciente.
Qual o tratamento da DPOC?
O tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) visa aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida, retardar a progressão da doença e prevenir exacerbações.
A abordagem terapêutica geralmente é multifacetada, pois exige intervenções não farmacológicas, mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e, em casos graves, intervenções cirúrgicas.
Durante exacerbações agudas da DPOC, pode ser necessário tratamento adicional, como broncodilatadores de ação rápida, corticosteroides sistêmicos e, em casos graves, hospitalização e suporte ventilatório.
1. Mudanças no Estilo de Vida
Cessação do Tabagismo: Parar de fumar é a intervenção mais eficaz para retardar a progressão da DPOC. Programas de cessação do tabagismo, que incluem aconselhamento e tratamento medicamentoso podem ser muito úteis.
Exercício Físico: A atividade física regular ajuda a melhorar a tolerância ao exercício e a qualidade de vida.
Nutrição Adequada: Manter uma dieta balanceada e adequada às necessidades do paciente é essencial, pois a desnutrição pode agravar os sintomas da DPOC.
2. Medicações
Broncodilatadores: medicamentos que ajudam a relaxar os músculos ao redor das vias aéreas, facilitando a respiração. Eles podem ser de ação curta para alívio rápido ou de ação prolongada para controle contínuo.
Corticosteroides Inalados: utilizados, em alguns casos, para reduzir a inflamação das vias aéreas. Muitas vezes combinados com broncodilatadores de ação prolongada.
Inibidores da Fosfodiesterase-4 (PDE4): usado para reduzir a inflamação e o risco de exacerbações em pacientes com DPOC grave e histórico de exacerbações frequentes.
Antibióticos: podem ser usados para tratar infecções bacterianas e, em alguns casos, para prevenir exacerbações em pacientes com infecções frequentes.
3. Reabilitação Pulmonar
Programas de Reabilitação Pulmonar: exercício físico supervisionado, educação sobre a doença e técnicas de respiração, e apoio nutricional e psicológico.
4. Oxigenoterapia
Oxigenoterapia Domiciliar: Para pacientes com hipoxemia crônica (níveis baixos de oxigênio no sangue), o uso contínuo de oxigênio pode melhorar a qualidade de vida e a sobrevivência.
5. Ventilação Não Invasiva
Ventilação com Pressão Positiva: inalação de ar sob pressão em máscara ajustada o rosto para ajudar na respiração durante exacerbações graves ou insuficiência respiratória crônica.
6. Intervenções Cirúrgicas
Cirurgia Redutora de Volume Pulmonar: Remove áreas danificadas dos pulmões para melhorar a função respiratória nos pacientes selecionados.
Transplante de Pulmão: Considerado em casos muito graves, quando outros tratamentos não são mais eficazes.
7. Gerenciamento das Exacerbações
Plano de Ação Personalizado: Desenvolver um plano com o profissional de saúde para reconhecer e tratar exacerbações precocemente.
Medicamentos de Resgate: Uso de broncodilatadores de ação curta durante as exacerbações.
Quais as vacinas o portador de DPOC deve tomar?
Vacina contra influenza
Vacina contra o SARS-CoV-2 (COVID-19)
Uma dose da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20); ou uma dose da vacina pneumocócica conjugada 15- valente (VPC15) seguida pela vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23)
Vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) para indivíduos acima de 60 anos e/ou com doença cardíaca ou pulmonar crônica
Vacina Tdap (dTaP/dTPa) para proteção contra coqueluche (tosse comprida) para pessoas com DPOC que não foram vacinadas na adolescência
Vacina zoster para proteção contra herpes zoster para pessoas com DPOC acima de 50 anos
O manejo da DPOC é complexo e deve ser individualizado, levando em consideração a gravidade da doença, a resposta ao tratamento e as comorbidades do paciente.
A coordenação com uma equipe multidisciplinar, incluindo pneumologistas, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, pode proporcionar um atendimento abrangente e eficaz.
Fonte: Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease – 2024 Report